Quimeras

Originalmente publicado no blog do Trânsito Manaus no Portal D24AM.

O ano era 1911 e Manaus despontava como uma das metrópoles mais prósperas do Brasil e do Mundo. Uma das primeiras cidades do Brasil a ter telefone, água encanada e sistema de esgoto, além da energia elétrica que alimentava um transporte público eficiente e que cobria todas as regiões da cidade, inclusive a periférica região de Flores que deu nome ao bairro situado no mesmo local hoje em dia.

O prefeito de então, Dr. Jorge de Moraes (mandato 1911-1912), o primeiro de nossa história a ser eleito pelo voto popular, surgiu com a ideia de celebrar a glória da cidade ordenando a construção de uma fonte, para servir de adorno à Praça do Comércio e refrescar os transeuntes da Paris dos Trópicos, numa época em que condicionadores de ar eram apenas uma ficção distante e esta era a principal forma de reduzir a temperatura no perímetro urbano. Naquele mesmo ano foi erguido o Chafariz das Quimeras, situado no cruzamento das ruas Epaminondas e Visconde de Mauá (antiga Demétrio Ribeiro), defronte ao tradicionalíssimo Café dos Terríveis.

Inauguração do chafariz, em frente ao Café dos Terríveis

O chafariz era composto por uma grande cuba de concreto, que ressurgia no centro em forma de cruz, servindo de alicerce para um cilindro metálico curto que se encerrava em uma grande bandeja de ferro. A seguir um novo cilindro, com o dobro do tamanho, dividido ao meio por um adorno circular. Os cilindros eram bem adornados e acima deles jazia uma última bandeja, menor, de onde brotava água sob os pés da musa grega que portava uma tocha brilhante encerrada em ferro e vidro.

Nos pontos cardeais da fonte, quatro quimeras, animais fantásticos com cabeça de leão, asas de águia e cauda de dragão, vigilantes, fazem a guarda de sua majestade. Em um dos lados, uma torneira de ferro servia de água fresca qualquer um que por ali passasse. Ao redor, um jardim baixinho, com uma pequena cerca de metal, quase imperceptível.

Vista Aérea parcial de Manaus, com as praças do Comércio, XV de Novembro e Oswaldo Cruz na metade inferior direita

Alguns anos após a sua inauguração, com a capital vivendo os últimos instantes de intensa glória e efervescente emigração de brasileiros e estrangeiros pelo movimentadíssimo Roadway, o prefeito decide mover a fonte para a Praça XV de Novembro, entre as Praças do Comércio e Oswaldo Cruz, de costas para a Catedral de Nossa Senhora da Conceição e de frente para o porto, para recepcionar aqueles dos quais muitos de nós descendemos hoje em dia.

Já na segunda instalação, o sistema de fonte foi removido, sendo instalado apenas o pilar central com a musa e as quimeras, tendo os pés destas sido adornados por plantas. E ali a musa e suas quimeras acompanharam melancolicamente o súbito declínio da borracha e consequente cessação da chegada de grandes navios de passageiros e de barões da borracha que outrora por ali andavam acendendo seus charutos com notas de mil contos de réis. As mansões ao redor foram dando lugar a comércios e no espaço entre a fonte e a catedral foi construído um aquaviário e um pequeno zoológico.

Praça XV de Novembro: o chafariz virou uma simples estátua

Décadas se passaram, e no começo dos anos 1970 a cidade já contava com aproximadamente 620 mil habitantes (quase o dobro da década anterior). Com a concentração cada vez maior de comércio no centro da cidade, as pessoas foram migrando para os novos bairros que iam surgindo na periferia e, conjuntamente com o evento do desmonte da Cidade Flutuante, na segunda metade dos anos 1960, muitas daquelas pessoas que antes se deslocavam para o centro a pé passaram a usar transporte coletivo e o sistema precisou de um terminal central maior, que suportasse aquela demanda crescente de ônibus, solução de transporte público que substituiu os bondes cuja lembrança restou apenas nos velhos trilhos de metal.

Criou-se o Terminal da Matriz e, para que houvesse mais espaço, a fonte foi retirada por ordem do prefeito Paulo Pinto Nery (mandato 1965-1972), e instalada na Rotatória da João Coelho (Rotatória do Olímpico), construída para organizar o trânsito no cruzamento entre as avenidas Constantino Nery (anteriormente conhecida como Av. João Coelho) e (Boulevard) Álvaro Maia / Kako Caminha. E dali a musa pôde observar a expansão da cidade que crescia em todas as direções, até – mais uma vez – se tornar vítima do mesmo progresso que acompanhara impassível até ali.

Paulo Pinto Nery: transferiu a musa para a Rotatória da João Coelho

Na administração de Alfredo Nascimento (mandato 1997-2004) como prefeito de Manaus, fez-se necessária a construção do Viaduto D. Jackson Damasceno Rodrigues, entre 1998 e 1999, para desafogar o cruzamento das duas avenidas, que recebiam cada vez mais tráfego após a ascensão da Av. Brasil, no bairro da Compensa, como uma área comercial de preços acessíveis. E a fonte foi então desmontada, para passar vários anos abandonada em um depósito da prefeitura.

Em 2003, ainda na administração de Alfredo Nascimento, integrando a ornamentação paisagística da reforma realizada na Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife) foi construída, no cruzamento desta com as ruas Carlota Joaquina e Rio Negro, a Rotatória do Eldorado e no seu centro foi instalado novamente o chafariz.

Rotatória do Eldorado: bonita instalação, porém disposição incorreta

Infelizmente, por um erro na instalação, as quimeras foram postas de costas para os observadores, deixando de proteger sua musa para tornarem-se apenas suas observadoras e uma seção do cilindro central foi retirada, fazendo com que o resultado final ficasse mais baixo que a versão original. Além disso, com o tempo, a fonte foi permanentemente desligada, sendo então retirada em 2009.

Por fim, com a construção do Parque Estadual Jefferson Peres, como parte dos trabalhos de reurbanização de igarapés do PROSAMIN, durante a administração do governador Eduardo Braga (mandato 2003-2007), por sugestão do secretário de cultura Robério Braga, o Chafariz das Quimeras ganhou um lugar de honra de frente para a lagoa artificial das Vitórias-Régias, na confluência dos dois braços do Igarapé de Manaus, onde até hoje pode ser encontrada e admirada. Neste link você confere os cinco lugares descritos no texto.

Parque Jefferson Peres: um lar para receber as visitas das próximas gerações

Referências

Entrevistas
– Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, sobre datas de construção das obras recentes.

Livros
– MONTEIRO, Mário Ypiranga. Negritude e Modernidade: a trajetória de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Manaus: Editora Umberto Calderaro, 1990. 161 p.

Sites
Descobrindo o Amazonas
– J. Martins Rocha – link 1link 2link 3
O Eldorado é Aqui
Manaus Ontem

Ponte

Era uma vez um governador chamado Eduardo. Eduardo era um político muito querido pelo povo, que fez grandes obras de urbanização sem precedentes. Eduardo tinha um sítio do outro lado do rio. Eduardo mandou construir uma ponte para poder chegar ao seu sítio tranqüilamente.

Ponte dos Bilhares

Era uma vez um governador chamado Eduardo. Eduardo era um político muito querido pelo povo, que fez grandes obras de urbanização sem precedentes. Eduardo tinha um sítio do outro lado do rio. Eduardo mandou construir uma ponte para poder chegar ao seu sítio tranqüilamente.

Ponte Rio Negro

Era uma vez…

Texto meramente ficcional.

Novo lançamento da Volkswagen

Jesus Christ Limited Edition

O (Dr.) Conte foi convidado para um evento de lançamento da Volkswagen que vai ocorrer durante a última semana de Maio. Ainda não temos informações sobre o modelo, mas suspeitamos que vá revolucionar o mercado de veículos anfíbios. O Volkswagen Gol Jesus Christ foi lançado recentemente como modelo 2012, mas sendo rebatizado apenas de Gol 2012 JC, convertendo-o em um produto independente da linha Gol. Com importantes mudanças no sistema de flutuação e tração, o Gol 2012 JC quer ser mais exclusivo. Para isso, ele oferece estilo mais clássico, embora com inovações como câmbio automático entre tração para pista e para água, além de um detector de banzeiro. Vamos esperar a confirmação da Volkswagen sobre o lançamento.

Velho Continente – dia 1

Postas em dia as obrigações letivas, conjugais e trabalhistas, feitas as malas e abraçados os amigos que deu tempo abraçar (entschuldigung aos que não deu), hora de começar a viagem.

Primeira etapa, MAO – Aeroporto Eduardo Gomes: fiquei com medo da situação da vista do meu pai que anda fazendo drift nas curvas da madrugada. Todos (Hans, Ada e Tatiana) me esperavam no saguão do aeroporto. Assisti Origem (Inception) durante o vôo (no iPad), dormi uma boa parte, sonhei que estava num avião vendo Origem e o tempo passava mais devagar.

Segunda etapa, GRU – Aeroporto de Guarulhos: tentei encontrar amigos de São Paulo, mas meus planos não deram certo. Mesmo assim, aproveitei para comprar uma passagem de ônibus do Aeroporto de Guarulhos para o de Conconhas.

No caminho, do que consegui ver e lembrar, passamos pela Marginal Tietê, Av. Tiradentes, Estação Tiradentes e Estação da Luz (a bonitona). Almocei no SP Burger e aproveitei pra andar um pouco. Decidi voltar às 3:30pm para evitar surpresas de engarrafamento.

Na volta pude perceber também o Largo de São Francisco e o lugar onde será o estádio do Corinthians e, dizem, a abertura da Copa do Mundo do Brasil. Tive então a certeza de que a Arena da Amazônia está com o cronograma em dia. Reparei também que havia 4 penitenciárias próximo dali. Just for the lulz.

Em certos aspectos da estrutura viária da cidade, São Paulo me lembra Atlanta, com uma pitada de Los Angeles. E o fedor da Marginal Tietê. Mas nada insuportável se você frequentar o Manauara.

Em Guarulhos novamente, eu andei pelos três andares do aeroporto (que deve ter o mesmo tamanho do de Miami) até que sentei, fui assistir Clube da Luta e descobri, tardiamente, que o arquivo estava corrompido. Nisso, o autofalante do aeroporto solicitou a presença do Sr. Eduardo Honorato no balcão da Infraero. Assisti então 1/3 de Edith (La Môme), deu sono, guardei tudo, amarrei minhas coisas nos meus braços e dormi.

Mais tarde reencontrei Hans, Ada e Tatiana e fomos fazer o check-in. Por um problema de excesso de lotação eles nos realocaram para uma seção econômica menos econômica que a econômica. Economy Confort. Assim, sim. Legal também eles admitirem que não tem confort na outra economy.

Estou escrevendo no avião enquanto sobrevôo o Ceará. O papel da bandeja de comida é ilustrado com a pintura daqueles tradicionais azulejos holandeses. Deu vontade até de guardar, mas não. É engraçado e curioso ouvir crianças falando Alemão. Ainda não ouvi ninguém falando Holandês alto o suficiente para que eu possa distinguir de Alemão.

Nós podíamos escolher entre opções de jornais portugueses, franceses, alemães e holandeses na entrada do avião. Peguei o jornal alemão por mera questão de tentar ter foco no idioma que vou estudar nas próximas semanas, mas deu vontade de pegar outros também. O papel do jornal alemão tem o mesmo cheiro do USA Today, que eu particularmente não gosto. E a diagramação é bem estranha pra mim: mais largo que alto.

Quero chegar logo em Amsterdã. Não vejo a hora. Meu relógio quebrou. Sem chance de conserto até voltar. E eu tinha decidido de última hora vir com o de pulseira de borracha em vez do de pulseira de metal pra evitar ficar gelando meu braço. Me ferrei.

Desligaram a luz dos corredores. Vou desligar aqui também pra deixar a senhorinha do lado dormir. E dormir também, porque ainda falta um oceano de distância até a próxima etapa (AMS – Aeroporto de Amsterdã-Schiphol).

Desculpem a verborragia.

Auf wiederschreiben.

Sub-total

Ou Checklist de 2011.

Encerrei a faculdade, o que inclui:

  • as NPCs (e as NEFs).
  • as peças do Núcleo de Prática Jurídica (obrigado Bernardo, Laís e Kelly, que me ajudaram com todas aquelas peças).
  • os relatórios de audiências (obrigado amigos do 16º JEC, que me ajudaram com as audiências).
  • as centenas de horas no balcão de atendimento (muitas aproveitadas para escrever meu TCC ou jogando Asphalt 6, confesso).
  • o meu famigerado TCC (obrigado profa. Carla e todos os citados e / ou eventualmente esquecidos nos Agradecimentos).
  • infelizmente não encontrar mais todos os dias os amigos que fiz ali.

Li uns livros legais, pude comprar um brinquedinho com meu próprio dinheiro, comecei a estudar Francês e continuei estudando Alemão, dei entrevista, palestrei no III ETC Manaus sobre o Trânsito Manaus e ajudei a desenvolver um serviço pioneiro em Manaus, dei entrevista, e mais entrevista, voltei a escrever nesse blog com mais regularidade do que nada e reclamando bastante, ou fazendo milagres nas horas vagas. Perdi amigos jovens e velhos ídolos.

Nos últimos meses deixei de dar tanta atenção a algumas pessoas tanto quanto gostaria. Meus projetos particulares (citados supra) exigiram mais que mim que o habitual. Não prometo que vou conseguir compensar isso no futuro, mas fica registrado que senti falta.

Dia 30 vou viajar. Pela primeira vez, sozinho. Acho que será um bom aprendizado.

Obrigado a todos que estão sempre por perto. 2011 foi um ótimo ano graças a vocês.

E principalmente, por causa de você.

Stay hungry, stay foolish.

Feliz 2012.

Espaço

Um cara comprou um sítio em frente ao sítio do meu pai. Em um ano de trabalho ele pôs a baixo quase toda a floresta que havia no lugar. Não sei se a porcentagem de floresta preservada nos fundos corresponde ao determinado no código florestal, mas isso não vem ao caso. Alguns donos de sítios próximos fizeram o mesmo.

Não sei quantos neurônios esse pessoal tem, mas derrubar toda a floresta ao redor da casa – não apenas dar aquela margem de distância que evita de uma árvore cair e quebrar as telhas, mas derrubar todas as árvores –, estando a poucos metros de uma estrada de barro vai fazer o ambiente ficar absurdamente mais quente e estupidamente cheio de poeira, ainda que virtualmente mais ventilado. E ainda tem uns que em vez de usar uma cerca comum com arame farpado, gastam uma fortuna com um muro de tijolos, pra elevar a eficiência da estufa. Socorro arquiteta!

O mesmo acontece na cidade. A pessoa mal pagou 5 das 600 suaves prestações da famigerada casa própria e já começa a comprar tijolo pra transformar o lote inteiro num cubo de concreto fervente, que vai exigir uns vinte milhares de BTUs para ser habitável e ainda leva a muito xingamento no Twitter. Nesse caso há também a questão de segurança na equação, posto que o Estado não provê com eficiência, então é melhor relevar.

Queria entender o motivo pelo qual as pessoas buscam constantemente ocupar todo espaço que tem disponível, como se estivessem perdendo dinheiro por não usar todos os recursos de uma vez. Ou talvez seja melhor não entender. Acho que já fui assim, na verdade, em relação a HDs, prateleiras e gavetas, mas tento pegar mais leve hoje em dia.

Nenhum recurso no Mundo é, com exceção da burrice humana, infinito.

O Poder das Hashtags (III ETC Manaus)

Transcrição (suposta e informal) da palestra ministrada na noite de 10 de Setembro de 2011, na terceira mesa do III Encontro de Twitteiros Culturais de Manaus, no Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping.

Qual a primeira ideia que vem à mente quando você pensa em hashtags?

Rapidamente vem à mente exemplos cotidianos como #FollowFriday, #ComoFaz, # FicaDica, #Partiu, #ETCManausFAIL 🙂 , #ProntoFalei… Mas o que há por trás destes quatro traços cruzados?

Para que uma hashtag apareça nos Trending Topics brasileiros (ou Tópicos em Tendência, como diria Luiz Eduardo Leal), é preciso que este seja citado mais de 5 mil vezes em menos de uma hora. Inclusive, inspirados nessa lógica de grande concentração de pessoas referindo-se a um ponto em comum que os criadores do Foursquare criaram a Swarm Badge, um troféu de abelhinhas que aparece no seu perfil ao dar um check-in junto com outras 50, 100, 250 ou mais pessoas em uma mesma prefeitura.

Para as empresas que lidam constantemente com as redes sociais, conseguir alçar uma hashtag ao posto de tópico mais comentado de um país é um feito importante para a marca. Principalmente quando é uma referência positiva ou neutra, o que infelizmente não foi o caso da Mega Eventos. E o Trânsito Manaus teve a oportunidade de ter iniciado alguma dessas hashtags que chegaram aos TTs.

A primeira delas, em 04 de Maio de 2010, ao lado de concorrentes de peso como #PutaFaltaDeSacanagem, foi a #GreveManaus, que agregava informações sobre a greve dos motoristas de ônibus em Manaus que reivindicavam melhores salários.

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Essa parte eu ia falar, mas na hora, esqueci:

Então, quando no meio da tarde iniciou-se a greve, a maior parte da frota de ônibus parou de circular e as pessoas não sabiam o que estava acontecendo. Os meios de comunicação por rádio e TV ainda não tinham começado a noticiar o acontecimento e os impressos só viriam a tratar no dia seguinte. Daí uma pessoa que tivesse acesso à internet antes de sair de casa ou do trabalho, ou ainda no seu celular, pode ver as primeiras informações através da busca por essa hashtag e se programar para pedir um táxi ou uma carona.

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Em 12 de Dezembro de 2010, também se repetindo em 20 de Dezembro daquele ano e em Março de 2011, colocamos em evidência o #TemporalManaus, que chegou a passar mais de 8 horas nos Trending Topics nacionais, e foi interessante porque chamou a atenção do Sul e Sudeste: algumas pessoas começaram a fazer piadas sobre Manaus, o que levou a um debate na internet sobre o preconceito entre as regiões do país.

Já em 22 de Março de 2011, o #ContraOAumentoMAO, idealizado em parceria com o Clube do Fusca do Amazonas passou mais de 5 horas na lista. A ideia era a mobilização contra o aumento do preço da gasolina. Vários motoristas seguiram até dois postos da cidade, predeterminados, e abasteciam R$ 0,50, exigiam a nota fiscal e um teste de qualidade, que todos os postos são obrigados por lei a fazerem. Nesse dia a hashtag chamou a atenção da imprensa que compareceu aos postos e, inclusive, flagraram que um deles não possuía a indumentária necessária para realizar os testes. O que foi uma grande trollação patrocinada pelo TrânsitoManaus. 🙂

Apesar da ação anunciada com a hashtag não ter tido grande reflexo nos preços da gasolina de fato, a atenção que ela atraiu das pessoas e da imprensa fez com que alguns donos de postos buscassem atender a exigência de ter o material necessário para os testes de controle de qualidade, o que foi um ganho positivo para toda a população.

Essas hashtags não serviram somente como divulgação da marca TrânsitoManaus. Elas tornaram-se catalizadoras de informações geradas livremente pela coletividade. Deixaram de ser posse do “Trânsito” e passaram as ser posse dos usuários. Inclusive nós estimulamos que as pessoas não precisariam necessariamente enviar uma reply para o @TransitoManaus. Apenas que utilizassem a hashtag fazendo com a informação fosse totalmente descentralizada e livre, como de fato as coisas acontecem no Twitter.

O que uma hashtag pode mudar nas nossas vidas?

Muitas pessoas podem achar que a hashtag não tem poder nenhum, que é uma coisa inútil. Mas nós não pensamos dessa forma.

Afinal, a inútil hashtag que chega a passar uma semana intenria anunciando para todo o Brasil o canal e os produtos de uma sexshop manauara alavancando suas vendas não é um poderoso case de marketing?

A inútil hashtag que mostra para o Brasil inteiro que apesar da desinformação de uma certa banda colorida, em Manaus não apenas há civilização, como também internet (ainda que lenta) não é um poderoso case de senso de humor?

A inútil hashtag que ajuda mais de 20 mil pessoas diretamente, e sabe-se lá quantas mais indiretamente, a informarem-se sobre lugares alagados, vias obstruídas e engarrafamentos não é um poderoso poderoso case de informação alimentada pela coletividade?

A inútil hashtag que se transforma em uma campanha nacional de doação e torcida por ALGUÉM que considero duas das pessoas mais fortes, felizes e corajosas que já viveram neste mundo não é uma poderosa demonstração de humanidade, tão rara hoje em dia?

Vocês ainda tem dúvidas quanto ao poder de uma hashtag?

Avaliem o uso que vocês dão aos recursos que vocês tem, porque o poder de um recurso, como uma hashtag, depende do uso que você dá a ele.

Pai Nosso Cretino

@Pref_BigBlack que estás na PMM. Fuxicada seja a vossa administração. Venha a nós o vosso Reino de Tão Tão Perto. Não deveria, mas é feita tão somente a vossa vontade, assim nas secretarias como na CMM. A Taxa do Lixo de cada dia nos restitui hoje, para tomar de volta para ti amanhã. Perdoa nossas dívidas, assim como vós perdoastes o Dudu, o Omar e talvez o Buchada. Não nos deixeis cair em engarrafamentos e livrai-nos dos buracos da administração passada. Porque teu é o reino, o poder e a glória há mais de 20 anos e há de ser por mais 30 se bobear aí pro mano. Amém.

Origem

CONTE

Meus bisavós (pais do meu avô paterno) eram italianos, vieram para o Brasil pouco antes do estopim da Primeira Guerra Mundial, em busca das oportunidades que se abriam em Manaus com o Ciclo da Borracha. Meu avô paterno nasceu no Brasil, mas por conta do Jus Sanguinis italiano seus registros legais ele consta como Italiano. Minha avó paterna era brasileira, mas seus ancestrais eram franco-marroquinos.

Todos os meus ascendentes acima de meu pai já morreram, sendo o meu avô, quando eu tinha 2 anos, e minha avó, quando eu tinha 9. Por conta disso, não pude conviver muito com eles pra saber mais a respeito das histórias deles. Sei apenas das histórias que meu pai e minhas tias me contam.

Hoje, o lugar onde meus bisavós moravam, na rua Marcílio Dias, virou loja, e o lugar onde meus avós moravam, na rua General Glicério, virou uma o Largo do Mestre Chico. Tenho uma tia que viajou pra Itália (e atualmente mora lá) que visitou o lugar de onde meus bisavós saíram: Castelluccio Inferiore, uma cidadezinha de pouco mais de 2000 habitantes, na encosta de uma montanha.

CASTRO

Por parte de mãe, minha avó é cearense, e veio com os pais pra cá nos anos 50 em busca de melhores oportunidades, já nos últimos instantes do segundo Ciclo da Borracha. Cheguei a conhecer minha bisavó (mãe da avó materna), mas ela morreu em 1999. Meu avô é amazonense, não sei muito sobre a origem dos pais dele, mas a minha bisavó (mãe do avô materno), ainda é viva e mora lá na Compensa (Manaus). Infelizmente, dada a idade, ela nem sempre está muito lúcida, e fica difícil conversar mais a respeito.

STEVEN

Eu nasci em Manaus mesmo, e sou fruto dessa mistura. Meu nome é a versão inglesa de Stephen, que vem do grego Stephanos (Στέφανος) e quer dizer “Coroado”. Meu pai sempre admirou os Estados Unidos e gostou da “cultura” americana, o American Way Of Life etc, e por esse motivo procurou um nome tradicionalmente americano.

Conto de Natal

Dedicado a todos aqueles que odeiam o Natal.

Certa vez eu estava indo para a ceia na casa de um tio e, passando ali pelo Hiléia, paramos no antigo sinal que tinha na entrada do Cj. Santos Dumont. A janela do carro estava aberta. Do lado parou um caminhão de lixo. O gari, fedendo e faltando alguns dentes, sorriu pra mim e disse “Feliz Natal”. Eu retribui a saudação e sorri, acenando com a cabeça. O sinal abriu e seguimos a diante rumo ao nosso destino.

Naquele dia aquele gari me fez pensar que: se ele, apesar de estar naquela situação, tendo que trabalhar com manejando dos outros que, naquele mesmo momento estavam celebrando com fartura na noite de Natal, e ainda assim era capaz de sorrir e demonstrar alguma aparente felicidade, por que eu, que estava limpo e confortável, de férias e sem tantas obrigações, e iria logo em seguida comer de uma mesa farta, poderia estar triste?

Eu sei que a Simone, o cavaquinho, o excesso de hormônios e excassez de neurônios da adolescência, o calor, a falsidade de algumas pessoas, o trânsito, ou talvez a sensação de não ter feito tudo o que desejava no ano que passou, podem causar algum desânimo. Mas para você que está agora confortavelmente caindo de boca no peru e fica ao mesmo tempo com esse papinho de “odeio o Natal”, fique com o meu:

– Cala a boca! Aprenda a dar valor ao que você tem.

Obrigado pela atenção e voltemos agora à nossa programação normal.

PS: Sim, eu sei que algumas pessoas odeiam o Natal por causa do Capitalismo, blá blá blá.

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