Dedicado a todos aqueles que odeiam o Natal.
Certa vez eu estava indo para a ceia na casa de um tio e, passando ali pelo Hiléia, paramos no antigo sinal que tinha na entrada do Cj. Santos Dumont. A janela do carro estava aberta. Do lado parou um caminhão de lixo. O gari, fedendo e faltando alguns dentes, sorriu pra mim e disse “Feliz Natal”. Eu retribui a saudação e sorri, acenando com a cabeça. O sinal abriu e seguimos a diante rumo ao nosso destino.
Naquele dia aquele gari me fez pensar que: se ele, apesar de estar naquela situação, tendo que trabalhar com manejando dos outros que, naquele mesmo momento estavam celebrando com fartura na noite de Natal, e ainda assim era capaz de sorrir e demonstrar alguma aparente felicidade, por que eu, que estava limpo e confortável, de férias e sem tantas obrigações, e iria logo em seguida comer de uma mesa farta, poderia estar triste?
Eu sei que a Simone, o cavaquinho, o excesso de hormônios e excassez de neurônios da adolescência, o calor, a falsidade de algumas pessoas, o trânsito, ou talvez a sensação de não ter feito tudo o que desejava no ano que passou, podem causar algum desânimo. Mas para você que está agora confortavelmente caindo de boca no peru e fica ao mesmo tempo com esse papinho de “odeio o Natal”, fique com o meu:
– Cala a boca! Aprenda a dar valor ao que você tem.
Obrigado pela atenção e voltemos agora à nossa programação normal.
PS: Sim, eu sei que algumas pessoas odeiam o Natal por causa do Capitalismo, blá blá blá.