Não é a primeira vez que eu penso sobre memória, mas vou tentar ser menos bobo que da última vez.
Eu considero minha memória razoável, na medida em que consigo guardar várias coisas que preciso, mas ao mesmo tempo tenho, cada vez mais, dispensado a dispositivos eletrônicos parte dos dados que em outros momentos eu costumeiramente memorizaria.
Já tive vontade de ter uma memória mais capaz, mas à medida que os anos foram passando, fui percebendo que os benefícios nem sempre compensam as desvantagens. Palavra de quem guarda tantas coisas que fariam um psicólogo o encaminhar para o psiquiatra em menos de 15 minutos.
A memória que decora o telefone daquela menina bonita que eu conheci no cinema é a mesma que me traz à tona todos os erros que meu amigo já cometeu comigo e que me fazem nunca confiar plenamente nele de novo (e se ele tiver, de fato, mudado?…). A memória que decora aquela receita de canjica que a minha tia fazia pra mim na infância é a mesma que me faz ficar me remoendo por não ter aceito aquela proposta de emprego que um outro idiota qualquer pegou e hoje está melhor, financeiramente, que eu (e se ele estiver estressado, tendo problemas de saúde e tendo menos tempo pra família por conta da função?…). Let it be…
A memória me deixa preso demais ao passado e me impede de viver melhor, e de forma mais plena, o presente.